S17-04 10

Crisálidas, uma série de Madalena Schwartz

Compartir en TWITTER/FACEBOOK/LINKEDIN

Deja tu comentario

Participa en esta ponencia enviádole tu pregunta o comentario a los autores

Añadir comentario

Firmantes

profile avatar
Priscila Miraz de Freitas GreccoUniversidade Federal do Recôncavo da Bahia

Enfoque

Na presente comunicação pretendemos uma análise a partir da Cultural Visual, da série de retratos Crisálida (1970), da fotógrafa Madalena Schwartz (Budapeste, 1921; São Paulo, 1993). Nessa série, Madalena apresenta retratos de artistas, travestis, transformistas e personagens do teatro underground da cidade de São Paulo, principalmente do grupo dos Dzi Croquettes. A década de 1970 foi um período marcado por transformações culturais, inovações científicas e por convulsões sociais que modificaram da forma importante as subjetividades, alterando as percepções sobre os corpos, as liberdades e as sexualidades. Uma questão importante nesse período são os movimentos pelos direitos civis das minorias marginalizadas, ampliando lutas individuais para o espaço da rua: o corpo é um corpo político presente em todos os espaços e marcadamente nas artes. Foi um período de revolução cultural também no Brasil, da contracultura. Nesse mesmo período, toda a América Latina foi marcada por governos ditatoriais, reacionários e cerceadores das liberdades que estavam sendo reivindicadas e criadas. No Brasil, em 1964, o governo militar passou a agir através dos Atos Institucionais (AIs), pelos quais podiam tomar decisões e ações sem a necessidade de aprovação na Câmara ou no Senado. É durante esse momento contraditório que Madalena Schwartz conhece a noite disruptiva paulistana, com seus personagens que criavam outra relação dos corpos não binários e dissidentes com a arte e o show. Também esse é o momento em que os temas ligados à diversidade e à liberdade sexual ganharam relevância e visibilidade. Nosso objetivo é analisar os retratos produzidos por Schwartz, uma senhora judia, dona de lavanderia, que fotografava as pessoas em sua própria casa, no Edifício Copan em São Paulo, considerando seu trânsito pela cidade, e sua relação com os fotografados. As questões de gênero estão presentes também na figura da fotógrafa e em como ela acessou os espaços e as pessoas. Seus retratos nos apresentam intimidade com os retratados, de maneira a criar imagens muito fortes e impactantes, que vão muito além da extravagância imagética que costumou ser a tônica nas representações da homossexualidade, do transformismo e da não binariedade da maneira geral na imprensa da época. Ainda outra questão que se coloca é se esses retratos participaram da construção de um repertório visual sobre o grupo fotografado, e como. Nos interessa buscar os traços da construção desses retratos como espaços de criação, de performatividade que desconstroem ou flexibilizam os limites da binaridade de gênero num momento histórico tensionado pela repressão dos governos ditatoriais.

Preguntas y comentarios al autor/es

Hay 10 comentarios en esta ponencia

    • profile avatar

      Shaila García Catalán

      Comentó el 14/04/2023 a las 10:30:34

      Olá Priscila:
      Obrigado por descobrir este fotógrafo que eu não conhecia. Considero os seus retratos muito corajosos porque em vez de reivindicar segurança e firmeza na auto-representação, atende à dúvida no olhar, na insegurança do gesto de quem se encontra num tempo ou numa posição de metamorfose. Acredito que seu olhar enunciativo é capaz de passar pelos rostos para mostrar a dúvida e o estranhamento que transparecem nos corpos.
      Um abraço

    • profile avatar

      Wagner Previtali

      Comentó el 13/04/2023 a las 01:26:43

      Agradeço pela apresentação, não conhecia o trabalho de Madalena e percebo como é importante conhecermos mais da história de vida das subjetividades dissidentes, sendo que a fotografia realiza isso com uma riqueza própria. Fiquei curioso sobre os recursos formais das fotografias da artista, ela faz uso de outros além da dupla exposição? se tornam frequentes na produção dela?

      • profile avatar

        Priscila Miraz de Freitas Grecco

        Comentó el 13/04/2023 a las 03:17:36

        Oi Wagner, muito obrigada por seu comentário e perguntas. A partir da produção de Madalena no Foto Cine Clube Bandeirante, podemos encontrar uma linguaguem visual atrelada às propostas de experimentação da fotografia. No caso dela, especialmente a exposição e os cortes foram os que se tornam mais frequentes, mas preciso voltar aos arquivos do FCCB, aos Boletins pra procurar outras imagens que tenham sido publicadas. Algumas vezes encontramos a referência ao nome dela, mas não a imagem. Ainda preciso reativar esse trabalho com os boletins nessa pesquisa com nova cronologia, pq me mantive entre as décadas de 1930 e 1950 no doutorado. Abraços

    • profile avatar

      Ana Daniela de Souza Gillone

      Comentó el 12/04/2023 a las 14:43:04

      Olá, Priscila, muito interessante sua abordagem aos retratos produzidos por Madalena Schwartz e a própria subjetividade da artista. Sua pesquisa além de visibilizar o método de trabalho da fotógrafa e as imagens feitas por ela nos provoca a pensar na essencial e efêmera trajetória do grupo Dzi Croquettes como corpo político de resistência ao poder ditatorial. No palco o grupo expressava temas que ainda provocam o discurso conservador como o casamento homoafetivo, identidade de gênero e sobretudo o amor entre transformistas.
      Sua questão colocada sobre esses retratos na construção de um repertório visual sobre o grupo é fundamental para a análise das imagens que poderiam também ser vistas em um diálogo com outras já feitas, como as imagens do fotógrafo Paulo Kawall, recentemente recuperadas pelo Instituto Moreira Salles. As imagens dos Dzi Croquettes que estão no acervo do IMS podem abrir espaço para uma análise comparativa e assim trazer mais subsídios para também pensar a questão das imagens de Madalena Schwartz como espaços para a discussão dos limites da binaridade de gênero durante a ditadura militar brasileira. Meus parabéns por sua proposta que nos provoca a questionar como essas imagens podem nos ajudar a entender a trajetória de luta pela visibilidade trans e casamentos homoafetivos e ainda reconhecer a importância fundamental dos Dzi Croquettes nesse processo.

      • profile avatar

        Priscila Miraz de Freitas Grecco

        Comentó el 12/04/2023 a las 14:58:52

        Oi Daniela, muitíssimo obrigada por suas colocações! Não sabia sobre a recente recuperas de Paulo Kawall. Vou buscá-las, com certeza! Pra caminhar com a pesquisa a ideia seria essa mesma, de ampliar essa gama de comparações da análise, pra entender como se dava esse tensionamento dos limites da binariedade nesse contexto de ditadura.

    • profile avatar

      Rosângela Fachel de Medeiros

      Comentó el 12/04/2023 a las 02:35:43

      Querida Priscila, que interessante tua abordam do trabalho fotográfico de Madalena Schwartz. eu adoro as fotos dela, disruptivas na forma e no conteúdo (e se mantendo ousadas até hoje), para mim, elas prenunciam o trabalho que Nan Goldin faria anos depois... genial!

      • profile avatar

        Priscila Miraz de Freitas Grecco

        Comentó el 12/04/2023 a las 15:00:22

        Oi Rosângela, sim, eu tb concordo com essa antecedência ao trabalho de Goldin, pensado a ousadia temática da série. Realmente Madalena é fantástica!

    • profile avatar

      José Alirio Peña Zerpa

      Comentó el 10/04/2023 a las 19:06:42

      Conocí parte del trabajo fotográfico de Madalena Schwartz en la exposición "Las metamorfosis de Madalena Schwartz en el MALBA en febrero de 2022. Los retratos de travestis y transformistas que frecuentaban la escena alternativa de San Pablo durante la primera mitad de la década de 1970, en plena dictadura militar, permanecen como posibilidad de relecturas. ¡Gracias por tu presentación!

      • profile avatar

        Priscila Miraz de Freitas Grecco

        Comentó el 10/04/2023 a las 19:27:58

        Hola José, muchas gracias por su comentario! Sí esa serie de Madalena es maravillosa y muy importante como documento y como forma estética del retrato. Seguiré con las investigaciones!


Deja tu comentario

Lo siento, debes estar conectado para publicar un comentario.

Organiza

Colabora