S17-07 06

Mulheres dissidentes em Limite (Mário Peixoto, Brasil, 1931)

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Priscila Miraz de Freitas GreccoUniversidade Federal do Recôncavo da Bahia
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Ana Daniela de Souza GilloneEscola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP)

Enfoque

Propõe-se uma análise das representações de mulheres dissidentes no filme Limite (Mario Peixoto, Brasil, 1931). As dissidências abrangem as experiências das atrizes e personagens femininos que performam situações subversivas que ameaçam normativas do ideário de nação, mulher e família vigente à época. Limite foi lançado um ano após o episódio que pôs fim à República Velha para garantir o desenvolvimento do Brasil pautado no pensamento conservador influenciado pelo populismo nascente e o nacionalismo. A produção do cinema brasileiro fazia parte deste projeto de nacionalismo. Limite não correspondeu a esse ideário. Suspeitamos que as interpretações das atrizes são responsáveis por parte da recusa ao filme por representarem um deslocamento das formas anteriores de construção de personagens femininas nas ficções nacionais, definidas pelos homens. Buscamos entender os modos em que as atuações das personagens mulheres se assumem em uma narrativa crítica às imposições de um cinema que defende a hegemonia do pensamento conservador.

Em Limite, a atriz Olga Breno representa a mulher altiva com vestes rasgadas que, junto a duas pessoas em um pequeno barco à deriva no mar, revela seu passado como elegante costureira que esteve presa, ou assim se sentia em uma casa. No segundo bloco do filme, a atriz Taciana Rei representa a mulher frágil, no citado barco, que decidiu se retirar de um casamento insuportável. No terceiro bloco, a atriz Carmen Santos interpreta uma prostituta com uma postura que denota a condição daqueles que não fazem parte da ideia de progresso que predominava no Brasil. Oprimidas pelo patriarcado, pelos mecanismos de controle que promovem silenciamentos ou descréditos, por meio de seus deslocamentos essas personagens tiveram a chance de falar. Assim, nas encenações é possível observar a liberdade de dizer o que não seria conveniente na narrativa histórica implicada nesse filme mudo. É precisamente na postura crítica à diferença sexual e no escrutínio nos discursos vigentes dos anos 1930 que podemos perceber que essas atrizes inauguram e legitimam uma narrativa feminista queer. É possível que esta forma de narrativa esteja na base das performances das personagens femininas? Indagamos a presença do pensamento da teoria feminista queer, compreendido em sua génese política que não está tanto ligada aos movimentos homossexuais, mas muito mais a um momento crucial de reinvenção em que o feminismo rejeita a redução normalizadora do seu próprio sujeito. De acordo com Preciado (2004) compreendemos que o sujeito possível das políticas queer é uma multitude de devires, e aqui incluímos as chamadas mulheres dissidentes, consideradas como perversas, desviadas e anormais. Percebemos, assim, essas atrizes no contexto de mulheres dissidentes que não se deixam fixar por identidades politicamente reguladas. As performances e gestos das atrizes serão analisados sob a condição de seu discurso político (BOU, Núria; PÉREZ, Xavier, 2018). Como a narrativa queer pode nos ajudar a pensar sobre as estratégias estéticas e políticas das atuações das atrizes no cinema? Essa questão nos orienta na análise do filme que torna visíveis aspectos políticos e situações de uma época para se discutir silêncios e invisibilidades em uma perspectiva histórica.

Preguntas y comentarios al autor/es

Hay 06 comentarios en esta ponencia

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      José Alirio Peña Zerpa

      Comentó el 12/04/2023 a las 15:23:27

      Gracias por rescatar el valor de Límite (1931) desde una lectura feminista. Límite aparece incluida en varias listas de mejores películas a través de los tiempos.
      Buena ponencia

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        Ana Daniela de Souza Gillone

        Comentó el 12/04/2023 a las 23:35:26

        Muchas gracias por comentar sobre la propuesta de lectura feminista de esta película-monumento del cine brasileño.

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      Priscila Miraz de Freitas Grecco

      Comentó el 12/04/2023 a las 14:54:27

      Daniela, muito obrigada pela apresentação! A necessidade que vê de se buscar uma perspectiva histórica do cinema latino-americano a aprtir das dissidências de gêreno se reforça com o desdobrar sua análise. Um abraço

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        Ana Daniela de Souza Gillone

        Comentó el 12/04/2023 a las 23:30:01

        Priscila, obrigada por ver a apresentação e pelo comentário. Um abraço!

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      Rosângela Fachel de Medeiros

      Comentó el 12/04/2023 a las 04:16:56

      Querida Daniela, que alegria imensa contar com tua participação em nosso simpósio. Achei super interesante e inovadora tua proposta de análise das personagens de Limite. Fiquei curiosa para acompanhar o desdobramento da tua pesquisa. :*

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        Ana Daniela de Souza Gillone

        Comentó el 12/04/2023 a las 13:17:10

        Querida Rosângela, muito obrigada pela oportunidade de apresentar este trabalho. Será uma alegria poder compartilhar os desdobramentos da pesquisa com você. :*


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