CÓD.S03-13 ONLINE

Uma tradição não pode ter vítimas: a proteção animal no Instagram a partir do movimento “Brasil contra a Farra”

A ascensão de novas sensibilidades em relação aos animais não humanos na cultura contemporânea vem provocando uma ampla revisão de tradições que envolvem o sofrimento de outras espécies. Entre elas, está a Farra do Boi, proibida no Brasil há quase 25 anos, mas que ainda ocorre em diversas regiões do país. A prática envolve a perseguição de bovinos, que são agredidos até não conseguirem mais andar. Exaustos e feridos, os animais acabam sendo “sacrificados” ou “eutanasiados”. Dentro do conflito entre tradições culturais e os direitos dos animais, diversos grupos de proteção animal buscam denunciar situações de maus tratos e crueldade se utilizando das redes sociais como forma de atrair a atenção da sociedade e exigir atuação das forças públicas.

Nesse contexto, nosso objetivo é analisar a mobilização social contra a prática na região do estado de Santa Catarina – um dos maiores polos nacionais de farra do boi – a partir do perfil de Instagram @brasilcontraafarra (9.388 seguidores), que se utiliza da mobilização virtual para denunciar ações de “farristas” e pressionar as autoridades locais a coibirem os eventos. Este trabalho se insere no quadro conceitual da Teoria dos Estudos Animais e por isso trazemos um referencial teórico interdisciplinar, que abrange as ciências sociais e naturais. Através da metodologia da análise de redes sociais e de entrevistas, verificamos quais os procedimentos de atuação do coletivo para sensibilizar o público e como se dá a mobilização virtual durante a realização das farras.

A partir daí, buscamos discutir como se dão as representações do boi e quais discursos são utilizados para promover o engajamento do público – pois não se pode esquecer que dentro das hierarquias sociais atribuídas aos animais não humanos nas sociedades ocidentalizadas coube ao boi o papel de alimento e sua subjetividade costuma ser obscurecida por meio de estratégias de entorpecimento psíquico. Assim, o perfil atua em duas frentes: sensibilizando a respeito do direito dos animais à vida e denunciando as farras. Por meio de tais estratégias, o coletivo consegue trazer visibilidade ao problema, mas é a partir da destinação que os seguidores fazem do conteúdo – seja divulgando a questão, seja pressionando autoridades – que se dá repercussão à causa, promovendo o engajamento da defesa dos direitos dos animais a partir de mobilizações virtuais.

Palabras clave

Comunicação E Cultura Contemporânea Direitos Dos Animais Estudos Animais Farra Do Boi

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Hay 4 comentarios en esta ponencia

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      Francisca Silva Layera

      Comentó el 02/05/2021 a las 05:59:28

      Estimada Eveline:

      Junto con saludarte desde Chile, y esperando te encuentres bien, felicitarte por tu presentación, ya que pones en el debate un tema muy interesante y cercano a mí, en parte – ya que participo indirectamente en la causa animalista-, ya que, si bien, parte del ciberactivismo implica temáticas tan sensibles como el frenar el maltrato animal – tenencia responsable, el testeo en animales, que es uno de los temas más fuertes y presentes para el ciberactivismo, en términos de, por ejemplo el documental concientizador “Save Ralph”, difusión de marcas cruelty free, liberación de animales de los laboratorios, la causa de PETA, entre otras-pero no sólo de los animales domésticos – perros y gatos- que es lo más frecuente en las redes sociales y en medios de comunicación – en Chile, por ejemplo, se ha vuelto más mediático, a través de la promulgación de la “Ley Cholito”, que trató de un caso extremo de maltrato animal con resultado de muerte a un perro, lo que abrió el debate de las penalizaciones efectivas a los que maltratan animales y la tenencia responsable de éstos.

      Tanto en Chile como en Brasil, de acuerdo a algunos antecedentes que revisé, tenemos una gran deuda con los “animales mayores” – caballos, vacas, bueyes, etc-, considerando, claramente, el deporte nacional el Rodeo, que lleva años en la palestra, por el maltrato que implica, precisamente a los bueyes, y un claro ejemplo de ciberactivismo, cuando agrupaciones animalistas concertan instancias para boicotear los eventos, por lo que, claramente, de acuerdo a las legislaciones, tenemos un largo camino por recorrer, por lo que, investigaciones como la tuya, y otras más que veo tienes en camino, serán de gran contribución a que el tema del maltrato animal, independiente de la especie, sea visualizado.

      Estaré muy atenta a tus próximos trabajos, ya que reitero, es una temática muy potente que desde la academia podemos mostrar a la comunidad, en conjunto con los activistas de los derechos animales.

      Cordialmente,

      Francisca.

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        Eveline Baptistella

        Comentó el 04/05/2021 a las 23:05:20

        Cara Francisca,
        Que alegria receber sua contribuição. Estamos bem por aqui, dentro do possível no cenário de pandemia. Espero que aí você também esteja em segurança. O ciberativismo ativismo digital ainda reproduz hierarquias que vemos na sociedade em geral. Assim, é mais comum vermos mobilizações em torno de animais considerados de estimação por excelência, como cães, gatos, coelhos. Há também uma atenção muito grande para animais silvestres.
        Já os chamados “animais de produção”, que são explorados para fins de alimentação, são mais esquecidos ou têm sua defesa mais segmentada em nichos. Os bovinos acabam nesse limbo, já que há menos comoção com seu sofrimento, pois são vistos, sobretudo, como alimento. Aqui no Brasil, a farra do boi, o rodeio e a vaquejada são alvo de grande controvérsia atualmente pois a legislação já reconhece que são práticas cruéis, mas há grupos políticos muito fortes que tentam legalizar as práticas a partir da justificativa de que se trata de uma tradição cultural. Nesse ponto, o ciberativismo tem sido fundamental, pois os ativistas se posicionam como eleitores e cobram dos políticos posturas que sejam eticamente responsáveis em relação aos maus tratos dos animais.
        Eu fico muito feliz que tenha gostado do trabalho e vou deixar aqui meu e-mail e o endereço do meu site para mantermos contato. É sempre bom conversar com colegas de outros países sobre essa temática e ver como os direitos dos animais se articulam em diferentes culturas.
        animaisefronteiras@gmail.com
        www.animaisefronteiras.com.br
        Abraços!

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      Irina Salcines Talledo

      Comentó el 30/04/2021 a las 19:37:44

      Enhorabuena Eveline Baptistella por su comunicación. ¿Actualmente continúa trabajando en esa línea?

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        Eveline Baptistella

        Comentó el 30/04/2021 a las 20:56:52

        Oi, Irina, obrigada! Sim, sigo pesquisando na área de estudos animais. Atualmente, estudo também a representaçao dos animais não humanos na televisão, a inserção dos animais na esfera ética da imprensa e a questão da exploração das outras espécies no turismo. Além da Farra do Boi, o Brasil ainda tem muitas tradições que envolvem maus tratos aos bovinos - como vaquejada, rodeio - e há muita controvérsia sobre o tema, então estamos desenvolvendo mais duas pesquisas sobre essa questão no momento. Se tiver interesse em conversar mais ou quiser mais informações, meu e-mail é animaisefronteiras@gmail.com. Muito obrigada!

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